Depois de ter em seus passaportes mais de cinquenta carimbos de entrada e saída em território norte americano, este ano em junho, no aeroporto de Newark na Grande Nova York, em New Jersey, Mestre Nô, embora tratado com educação e respeito, não pôde encontrar seus alunos que o aguardavam, para ser homenageado em eventos organizados por eles.O mestre que ajudou a educar centenas de jovens americanos, teve seu visto cancelado e foi obrigado a voltar. Além dos danos morais, o velho mestre que em suas andanças não percebeu o glaucoma que sofria, teve o prejuízo das despesas da viagem, pois os dois telefonemas a que teve direito, enquanto estava no aeroporto, não solucionaram sua entrada. Michael Goldeinsten, mestre Ombrinho que o esperava, estava sem um aparelho celular, não pôde portanto providenciar um advogado.
No documentário de minha autoria, Mandinga em Manhattan, - sobre a internacionalização da capoeira, gravado em 2005 e patrocinado pelo Ministério da Cultura, Fundação Padre Anchieta e IRDEB, já temos mestres da Bahia apelando para o Itamaraty; para que as autoridades do Ministério das Relações Internacionais e Fundação Palmares, tomem providências no sentido de identificar estes mestres, encontrar formas diplomáticas, para que eles possam levar nossa cultura, respeitando o desejo destes grupos, que o aguarda com alegria e reverência.
Mestre Nô é vice-presidente da Associação Brasileira de Capoeira Angola, com sede na Rua Gregório de Mattos no coração do Pelourinho, que defende e preserva os preceitos da capoeira tradicional. A ABCA, pede a todas as instituições e organizações dos direitos civis, apoio ao seu diretor jurídico, o advogado e ex-defensor público geral do Estado da Bahia, Genaldo Lemos Couto, que está redigindo cartas ao Itamaraty e Ministério da Cultura, no sentido de que os mestres de capoeira, de todos os seguimentos, que comprovem a existência de grupos iniciados por eles, onde desenvolvem um trabalho com a capoeira, ou tenham convite de para ir ao exterior participar de eventos e como sempre acontece, ser homenagado, recebam um passaporte de convidado e tenham suas entradas nestes países facilitadas e respeitadas.
Lucia Correia Lima *
Diretora de Projetos e Comunicação da Associação Brasileira de Capoeira Angola.
Elaborando o livro “Mandinga em Manhattan”, que pretende corrigir as falhas do documentário. Um projeto do edital Capoeira Viva, Ministério da Cultura e Fundação Gregório de Mattos.
Fontes: http://www.portalcapoeira.com/
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