
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Hoje tem roda!!!!

quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Parabéns ao Mestre Itapoan

Edison Carneiro: BERIMBAU
Da esquerda para a direita, Claude Lévi-Strauss, Ruth Landes, Charles Wagley, Heloísa Alberto Torres, Luís Castro Faria, Raimundo Lopes e Édison CarneiroTão pouco se sabia do berimbau, fora da cidade do Salvador, que, no meu livro Religiões negras, 1936, achei conveniente dar uma descrição dele, em que o relacionava ao humbo e ao rucumbo de Angola, com a fotografia de um grupo de instrumentistas em ação numa roda de capoeira. Anotei, na ocasião, os sinônimos gunga e berimbau-de-barriga. Não preciso reproduzir agoraas palavras de há trinta anos. Quem, neste país, a esta altura do século, ainda não viu um berimbau?O vocábulo era conhecido, mas prestava-se a confusões, pois designa, em geral, um instrumento aerofone, presente em todos os continentes, trazido para o Brasil pelos portugueses. Mário de Andrade se ocupou largamente dele. Os dicionários o registravam, e registram, nesta acepção. Por exemplo, o Pequeno dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, reimpressão de 1968, ensina: "Pequeno instrumento sonoro de ferro, que se toca segurando-o nos dentes e acionando a lingueta com o dedo indicador." Trata-se do berimbau-de-boca, variedade portuguesa, o mesmo com que, segundo Fernão Cardim, o irmão Barnabé alegrou o Natal dos jesuítas em fins do século XVI. Esse berimbau vivia, e vive, numa quadra jocosa:
Sua mãe é uma coruja
Que mora no oco do pau
Seu pai é um nego véio
Tocador de berimbau
e numa réplica popular da Bahia — Está pensando que berimbau é gaita? É difícil dizer exatamente como, quando e por que o apelativo de um instrumento aerofone acabou designando também um instrumento cordofone, tão diverso na sua estrutura e na sua função.
Chamando-o berimbau-de-barriga, os capoeiras o diferençavam e distinguiam do outro, de boca, e o descreviam melhor. Entretanto, a alternativa preferida parecia ser gunga, forma assumida no Brasil pela palavra angolana hungu, em que o h aspirado, como no exemplo clássico Dahomé / Dagomé, se transformou em g. É como gunga que ao berimbau se referem, como já acontecia na ocasião, muitas chulas de capoeira.
Eram escassas, antes de 1936, as menções ao berimbau.
1 - Em A Bahia de outrora, 1916, Manuel Querino o descreveu como "instrumento composto de um arco de madeira flexível, preso às extremidades por uma corda de arame fino", a que estaria ligada "uma cabacinha" ou uma moeda de cobre; o tocador o segurava com a mão esquerda e tinha, na direita, "pequena cesta contendo calhaus", chamada gongo, e um cipó fino, com que "feria a corda, produzindo o som". É possível que gongo, em vez de aplicar-se à cesta que agora chamamos caxxi e outrora era mucaxixi, fosse na verdade uma alternativa de berimbau.
2 - Leonardo Mota (Cantadores, 1921) viu, no morro do Moinho, Fortaleza, um negro octogenário, natural de Itapipoca, fazendo música com o seu berimbau-de-barriga.
3 - Luís da Câmara Cascudo, no ano seguinte, contou, num jornalzinho natalense, haver encontrado na feira do Alecrim "um negro gordo, papudo, velho", tocando um berimbau-de-barriga, descreveu o instrumento e intuiu a sua procedência africana.
4 - Não parece que Nina Rodrigues o tenha visto na Bahia, pelo que se depreende deste trecho de Os africanos no Brasil, publicação póstuma de 1932:
"No Maranhão ouvi em criança dar este nome [marimba] ao rucumbo, instrumentos dos negros angola, consistindo num arco de madeira flexível curvado por um fio grosso que fazem vibrar com os dedos ou com uma vareta. Na parte inferior do arco prendem uma cuia ou cuité que funciona como aparelho de ressonância e, aplicada contra o ventre nu, permite graduar a intensidade das vibrações."
Também Artur Ramos fizera mençãoao berimbau (O folclore negro do Brasil, 1935), mas de modo extremamente confuso. Como Nina Rodrigues, ainda não tivera oportunidade de vê-lo. Terminando a parte referente a instrumentos, escreveu (p.156):
"Restou-me falar no urucungo, também chamado gobo, bucumbumba e berimbau-de-barriga, que é o mesmo rucumbo (...) Hoje está quase desaparecido no Brasil..."
Há, no livro, uma longa citação de Luciano Gallet (Estudos de folclore, 1934) em que se incluem o birimbau (sic), sem qualquer explicação, e com base em Afonso Cláudio, o uricungo (sic), que também teria os nomes de gobo ou bucumbumba, mas este instrumento seria um arco de madeira "retesado por dois ou três fios", com "uma cuia oval" pendurada do centro. Na segunda edição de O negro brasileiro, 1940, Artur Ramos, após citar Religiões negras, reconheceu, novamente, que o berimbau "é o mesmo gobo ou bucumbunga (sic), é o urucungo dos tempos da escravidão, os mesmos rucumbo e humbo..." (p.243, nota). Na mesma página, porém, deixou ficar esta afirmativa da edição anterior, desmentida pelo berimbau:
"Os instrumentos cordofones pertencem a ciclos culturais mais adiantados; por isso os existentes primitivamente no Brasil não parecem ter origem negra, à exceção, talvez, da viola de arame."
Não há como classifcar o berimbau senão como instrumento cordofone. E, se podemos identificá-lo como o humbo e o rucumbo, não há razões válidas para negar sua origem africana.
Falta dizer que a viola de arame (que talvez fosse mesmo, como veremos, o berimbau) foi citada, igualmente sem qualquer explicação, por Luciano Gallet, como instrumento que os negros já usavam no Brasil — ou seja, como instrumento estranho às culturas africanas. Assim, Artur Ramos, não obstante o tenha citado em 1935, não tinha conhecimento direto do berimbau, nem o teve pelo menos até 1940. A área antiga do berimbau (que ainda não tinha este nome) compreendia a Bahia, o Maranhão, Pernambuco e o Rio de Janeiro — cobria exatamente os quatro grandes centros nacionais de distribuição de escravos.
Koster o registrou em Pernambuco, 1816, segundo a tradução de Luís da Câmara Cascudo, como
"um grande arco com uma corda tendo uma meia quenga de coco no meio, ou uma pequena cabaça amarrada. Colocam-na contra o abdômen e tocam a corda com o dedo ou com um pedacinho de pau."
O instrumento, com a cabeça "pendurada" da ponta superior do arco, ainda foi coletado em algum lugar ao norte da Guanabara, em 1937 ou 1938 (Oneida Alvarenga, Música popular brasileira, 1950, fig.1 — urucungo), mas, na forma afinal predominante no Brasil, mantém-se a cabaça amarrada ao arco.
Numa das suas Notas dominicais, datada do Recife, 1817, Tollenare dá, como instrumento musical dos negros, "uma corda de tripa distendida sobre um arco e colocada sobre um cavalete formado por uma cabaça". Não lhe anotou o nome, mas não parece que se chamasse berimbau, pois o parágrafo termina do seguinte modo:
"... não observei se a sua música servia para fazer dançar, e o mesmo digo do berimbau." Este último era o de boca.
Maria Graham (1822) refere, entre os instrumentos que examinou numa fazenda fluminense, do outro lado da baía de Guanabara (Diário de uma viagem ao Brasil, 1824):
"Um é simplesmente composto de um pau torto, uma pequena cabaça vazia e uma só corda de fio de cobre. A boca da cabaça deve ser colocada na pele nua do peito, de modo que as costelas do tocador formam a caixa de ressonância, e a corda é percurtida com um pauzinho."
Designando-o como urucungo, Debret, Viagem pitoresca e histórica ao Brasil, 1834-1839, fixou-o numa das suas gravuras (prancha 41, negro trovador) com a seguinte explicação:
"Este instrumento se compõe da metade de uma cabaça aderente a um arco formado por uma varinha curva com um fio de latão sobre o qual se bate ligeiramente. Pode-se ao mesmo tempo estudar o instinto musical do tocador que apoia a mão sobre a frente descoberta da cabaça, a fim de obter pela vibração um som mais grave e harmonioso. Este efeito, quando feliz, só pode ser comparado ao som de uma corda de tímpano, pois é obtido batendo-se ligeiramente sobre a corda com uma pequena vareta que se segura entre o indicador e o dedo médio da mão direita."
(Por descuido do tradutor, ligeiramente está por levemente.)
É impossível, por enquanto, estabelecer os motivos pelos quais a área do berimbau se restringiu, finalmente, à Bahia.
Não há a menor dúvida — trata-se de um instrumento originário de Angola. Em outros pontos da África Ocidental, encontram-se instrumentos musicais com a mesma estrutura básica do berimbau — corda, cabaça, arco — mas provém diretamente do humbo e do rucumbo de Angola aquele que agora acompanha o jogo da capoeira.
Sobre o humbo há duas referências do cronista português Ladislau Batalha. Em Angola, Lisboa, 1889, escreveu ele:
"O humbo é o tipo dos instrumentos de corda. Consta geralmente da metade de uma cabaça, oca e bem seca. Furam-na no centro em dois pontos próximos; à parte fazem um arco como de flecha, com a competente corda. Amarram a extremidade do arco, com uma cordinha do mato, à cabaça, por via dos dois orifícios; então, encostando o instrumento à pele do peito, que serve neste caso de caixa sonora, fazem vibrar a corda do arco, por meio de uma palhinha."
Em Costumes angolenses (Lisboa, 1890), há uma menção incidental:
"...um negralhão toca no seu humbo, espécie de guitarra de uma só corda a que o corpo nu do artista serve de caixa sonora."
Os exploradores Capelo e Ivens (De Benguela às terras de Iaca, Lisboa, 1881) fizeram o desenho do berimbau dos bangalas de Angola (I, p.294), enquantoo major Dias de Carvalho (Etnografia e história tradicional dos povos da Lunda, Lisboa, 1890) o desenhou sozinho e com outros instrumentos registrados na sua área de pesquisa (p.370, 379). O major, ao contrário de Capelo e Ivens, que não dizem uma palavra sobre o instrumento, dedicou meia página ao rucumbo, que em nada difere do humbo de Ladislau Batalha, descrevendo a corda como "um fio grosso que [os povos da Lunda] já fazem do seu algodão", de que obtinham sons que "lembram os de uma viola".
Nina Rodrigues, no Maranhão ("um fio grosso"), e Tollenare, em Pernambuco ("uma corda de tripa"), tê-lo-ão visto, portanto, na sua forma orginal.
Segundo informação de Albano de Neves e Souza, de Angola, consultado por Luís da Câmara Cascudo (Folclore do Brasil, 1967), o instrumento, considerado "tipicamente pastoril", continua em uso, com uma área de incidência que atravessa o continente até a costa oriental, recebendo, de acordo com a região, os nomes de hungu e de m’bolumbumba.
E, do Álbum etnográfico de José Redinha (Luanda, sd, p.85), consta, em desenho, "um monocórdio, lucungo, com caixa de ressonância, constituída por um copo de cabaça".
Observe-se que, antes de Manuel Querino, ninguém se referia à moeda de cobre usada pelos capoeiras.
Humbo, rucumbo, hungu e lucungo, nas várias línguas que se falam em Angola, são os étimos de dois sinônimos de berimbau em uso no Brasil — gunga, na Bahia, e urucungo, na região centro-sul. Desde quando o berimbau está associado à capoeira?
Há notícia da capoeira desde a transferência da capital do país da Bahia para o Rio de Janeiro (1763), mas, tratando-se de uma forma de luta pela liberdade, não seria de esperar a presença de instrumento musicais. Estes só apareceriam mais tarde, quando os negros passaram a exercitar-se para embates futuros. Pertence certamente a essa fase a gravura Jogo de capoeira, de Rugendas, Viagem pitoresca através do Brasil, 1835, devendo-se notar, porém, que o único instrumento musical à vista é um tambor, que um negro toca com as mãos, cavalgando-o.
Tudo faz crer que o berimbau, primitivamente, era um instrumento solista — ou, para ser mais exato, uma viola africana, talvez a viola de arame notada por Luciano Gallet. Ladislau Batalha viu nele algo como uma "guitarra" monocórdia, enquanto o major Dias de Carvalho, para quem os sons do berimbau lembravam os de uma viola, escreveu, decisivamente:
"Os luandas chamam-lhe violán. Tocam-no quando passeiam e também quando estão deitados nas cubatas
" Era, então, "muito cômodo e portátil". Debret o pôs nas mãos de um negro cego, que esmolava cantando a sua desdita. Com "um fio grosso" ou "uma corda de tripa", e por vezes dedilhado, que mais poderia ser?
Das fontes citadas, apenas Manuel Querino o dá como acompanhamento musical da capoeira — e não do treinamento, digamos, de profissionais, mas de amadores. Fazia o ritmo para o brinquedo, antecessor da vadiação atual. É de supor que somente neste século, e na Bahia, o berimbau se tenha incorporado ao jogo de Angola, de maneira insubstituível, dominante e caracterizadora.
Foi a partir de então, provavelmente, que o instrumento se fez mais comprido, que o arame substituiu de vez a corda de fio ou de tripa e que o berimbau se enriqueceu com o caxixi e a moeda de cobre, dobrão, 40 réis ou dois vinténs do tempo do império, com que o conhecemos agora
(Carneiro, Edison. Folguedos Tradicionais. 2ª ed. Rio de Janeiro, Funarte, 1982, p.121-125)Fonte: www.capoeira-infos.org
O ensino da capoeiragem no início do século XX
Artigo de Carlos Cavalheiro a repercussão em jornal de Sorocaba, São Paulo, sobre a abertura de Academia de Capoeira no Rio de Janeiro, em 1920. A matéria trouxe a chamada "Um Desporto Nacional"
A despeito de sua criminalização com a inserção no código penal de 1890 (Decreto 847/1890), a capoeiragem encontrou ainda nas primeiras décadas do século XX vários defensores e adeptos, especialmente entre intelectuais, escritores, jornalistas, boêmios... pessoas que circulavam pelos mesmos logradouros freqüentados pelos capoeiras.
Assim, João do Rio em "A Alma encantadora das ruas", descreve o universo dos capoeiristas, Coelho Neto defende a sua prática como desporto, Aníbal Burlamaqui publica o seu método de capoeiragem e o articulista Petrus publica em 1914, num jornal de Sorocaba, uma crônica em que um capoeira carioca acaba se saindo melhor numa disputa com um boxeador inglês.
A vitória do negro capoeira Ciríaco sobre o campeão japonês de jiu-jitsu Sada Miako (conhecido como Conde Koma), também é responsável pela profusão de defensores da capoeira como esporte nacional. A par desse contexto, surge ainda o pensamento eugênico que vê na prática de esportes a forma de se aperfeiçoar e melhorar a espécie humana.[1]
Faltava apenas domesticar a capoeira, nascida livre nas vadiagens[2] e brincadeiras das ruas, dar-lhe um aspecto de esporte regrado. Daí surgirem livros procurando metodizá-la, regulamentá-la, regrá-la, castrá-la. Aliado a isso, a campanha dos intelectuais (como Monteiro Lobato no conto "O 22 do Marajó") procurando evidenciar as qualidades nobres da capoeira e, ainda, o surgimento das primeiras idéias de fundação de academias que ensinassem a luta.
O jornal sorocabano Cruzeiro do Sul, por exemplo, reproduz a notícia da pretensão de se fundar uma academia nesses moldes no Rio de Janeiro em 1920. Eis a nota:
UM DESPORTO NACIONAL
O dr. Raul Pederneiras e o professor Mario Aleixo pretendem fundar no Rio uma escola para o ensino de um desporto genuinamente brasileiro: a capoeiragem.
Diz a "Folha" do Rio, ser a capoeiragem um desporto excellente. Quando bem executado e abolidos os golpes mortaes, é um meio utilissimo de defesa.
Há ainda na Capital Federal conhecedores emeritos da capoeiragem, mas poucos, relativamente aos que havia antes do regimen republicano.
Um japonez, jogador afamado do "jiú jutsú" foi vencido há tempos pelo capoeira carioca Cyriaco.
Raul Pederneiras pensa em reviver esse desporto, auxiliado pelo professor Mario Aleixo, que já ensinou "jiú-jutsú" e capoeiragem à polícia civil do Rio.
Os francezes chamam aquelle desporto de "savate": os pés, as mãos, a cabeça, tudo o capoeira emprega quando se defende.
A "Folha" cita um marujo brasileiro, um tal "Boi", que num porto francez resistiu a uma escolta numerosa, só se utilizando da cabeça e dos pés.[3]
A idéia de se ensinar a capoeira em academias vai tomando vulto com o passar dos anos. Sinhozinho cria uma no Rio de Janeiro[4]. Mestre Bimba funda a primeira academia registrada oficialmente em Salvador, na década de 1930. Uma década depois, Mestre Pastinha inaugura a sua academia de capoeira angola.
O fenômeno das academias baianas trará uma nova conformação à própria história da capoeira, uniformizando (no que tange às tradições, hábitos, costumes, rituais, instrumentação, cantigas etc) sua prática, especialmente após a migração de mestres para o sudeste brasileiro. Isso foi um dos motivos pelos quais a capoeira conhecida e praticada hoje é a baiana. Infelizmente, por outro lado, foram-se apagando pouco a pouco as práticas regionais anteriores como a pernada, a tiririca, o cangapé, a punga, o bate-coxa... que não puderam oferecer resistência e nem conseguiram criar condições para competir com a capoeira baiana.
Fonte: Jornal da Capoeira e e-mail enviado pelo Prof. Joel Marques - http://capoeira-redentor
Carlos Carvalho Cavalheiro
02.08.2005 - Sorocaba " SP
www.capoeira.jex.com.br
Do lenço de seda à calça de ginástica
A capoeira carioca está historicamente imbricada às maltas de capoeiras da cidade e à “filosofia da malandragem carioca” dos anos 1800. A baiana, por sua vez, está ligada à cultura negra baiana e especificamente ao candomblé. No Recife, ela se manifesta nas gangues de rua Brabos e Valentões.
Para analisarmos a essência da capoeira, temos que voltar no tempo e considerar o contexto da realidade sócio-cultural de espaços com registros identitários e territoriais dela. Neste olhar, destacam-se dois loci: Rio de Janeiro e Recife. Estes dois centros urbanos eram, no século XIX, os maiores pontos de comunicação com o resto do mundo, onde mais circulava gente, idéias, comércio. As zonas portuárias permitiam a troca de idéias entre nichos sócio-culturais semelhantes.
No século XIX, diversos movimentos ligados ao universo portuário apresentaram formas de organização identitária e territorial semelhantes. Eram as gangues de rua, movimentos sociais anárquicos que tinham como ponto de conexão o porto.
O Rio de Janeiro era a capital que tinha aberto seu porto. E Recife representava a face revolucionária da colônia, com suas insurreições contra o absolutismo português, como a revolução de 1817, um ensaio para a independência, cinco anos depois.
A capoeira do século XIX, no Rio, com as maltas de capoeira, e em Recife, com as gangues de rua dos Brabos e Valentões, foram movimentos muito semelhantes aos das gangues de savate (boxe francês) em Paris e das maltas de fadistas de Lisboa do século XIX. A semelhança pode ser constatada, por exemplo, no vestuário – lenço de seda no pescoço – ou no instrumental de combate – navalha, porrete, bengala etc. O que mais chama atenção, no entanto, é que os gestuais dessas lutas também são parecidos, ou seja, os golpes usados na aguerrida comunicação gestual eram análogos.
Por outro lado, as perspectivas identitárias e territoriais próprias dão a cada movimento sua sócio-fronteira, com espaços personalizados dos atores em seus próprios contextos sócio-culturais. A capoeira marca sua presença em grupos de sócio-fronteiras a partir de meados do século XIX, no Rio de Janeiro com as maltas e no Recife com as gangues. Nessas cidades, os grupos disputavam os espaços demarcados identitariamente e tinham suas próprias manifestação rítmicas.
Estas maltas dividiam-se em dois grupos (“nações”) rivais: os Nagoas e Guaiamus. Tinham seus sinais característicos e suas saudações típicas, assim como juramento e preces faziam parte de seu ritual. Participavam de todas as manifestações cívicas e festas populares e eram vistas durante as paradas, precedidos pelos caxinguelês (aprendizes), que vinham gingando à frente dos batalhões durantes as paradas.
No Recife, os grupos de capoeira se organizavam de forma semelhante, porém mais atrelados às manifestações rítmicas. As bandas militares foram as primeiras organizações rítmicas absorvidas pelos espaços iniciais de sócio-fronteiras da capoeira. A partir das Bandas do 4º Batalhão de Artilharia e o Hespanha, do Corpo da Guarda Nacional, os grupos criam duas unidades sócio-fronteiriças: O Partido do 4º ou “Banha Cheirosa” e o partido Hespanha ou “Cabeças Secas”.
A partir desta perspectiva identitária territorial, a capoeira pernambucana travou verdadeiras batalhas através de suas pernadas, sua ginga solta, aliadas à bengala, ao porrete, à navalha, à faca etc. Dos espaços rítmicos, o frevo – ritmo proveniente dessas estruturas de bandas e o passo da aguerrida comunicação dos capoeiras – era a última de suas brincadeiras.
A perda da identidade social
A capoeira do século XIX morre com o advento da República, tanto no Rio e como no Recife. Inimiga da capoeira, ela chega com uma proposta de reformas sociais e urbanas, criticando a organização e a expressão popular da sociedade brasileira, principalmente no que diz respeito à mestiçagem étnica e cultural. Sua proposta alternativa seria baseada no modelo cultural europeu republicano e qualquer coisa que estivesse fora desses princípios era desconsiderada.
Sob influência do positivismo europeu, a república introduz mudanças que alteraram a estrutura do espaço cultural carioca. Entre essas, estava a alteração da forma da malha urbana, com a destruição do morro do Castelo e a introdução sobre a nova geoforma de uma estrutura arquitetônica semelhante ao centro da cidade parisiense – largas avenidas, ruas ventiladas e arborizadas. Este processo é associado à imposição de hábitos culturais visando à melhoria da qualidade de vida da cidade, que naquele momento sofria de uma série de males produzidos pelo baixo padrão de infra-estrutura de saneamento.
Essas mudanças alteraram os nichos e a geografia culturais da cidade. Espaços de expressões culturais foram perdidos, desarticulando a forma de organização urbana e quebrando a dinâmica interativa das comunidades que a compunham. Assim, com a alteração de elementos essenciais do contexto social da capoeira, o processo que a personalizava se alterou. Desaparecidas, as maltas são substituídas pela solitária figura do malandro. Malandro é um indivíduo e a malta, um grupo social.
A capoeira das maltas do Rio e dos Brabos do Recife foi desmobilizada em menos de dois anos. Toda uma história de mais de quarenta anos se desfez.
A capoeira esportiva
Quando o universo interpretativo da origem e identidade da capoeira muda, há uma ruptura da capoeira como movimento social. Nasce uma capoeira sem identidade social, construída a partir dos discursos intelectuais, tanto o carioca como o baiano.
A capoeira atual tem toda sua construção relacionada aos discursos nacionalistas do final do século XIX e começo do XX, em duas linhas básicas: a capoeira carioca, com sua “ginástica nacional”, e a baiana, com seu “projeto regional”.
A capoeira regional, de Mestre Bimba, ligada ao candomblé e outras manifestações culturais negras da Bahia, está nos romances e personagens de Jorge Amado: há valentões e desordeiros e também jogadores mais lúdicos, como Samuel Querido-de-Deus.
O discurso da luta regional, auxiliado pela construção do método de Bimba, se estabelece como hegemônico. Talvez a falta de uma origem como movimento social da capoeira em Salvador tenha facilitado a construção desta proposta de capoeira, que chega aos dias de hoje e espalha-se pelo mundo todo.
Mas, fruto de uma construção racionalizada, essa capoeira contemporânea, esportiva, esconde a fragilidade da falta de uma personalidade sócio-cultural.

Mestre Gil Velho
Fonte: www.portalcapoeira.com
A Esportivização da Cultura Capoeirana: Dilemas e Desafios das Políticas Públicas para o Setor
Entre os que debatem o fenômeno da esportivização no interior das práticas corporais em geral podemos encontrar vários autores que fundamentam suas críticas sob o argumento de que as manifestações da “cultura corporal de movimento” , ao serem esportivizadas, passam a ser tratadas de forma unidimensional e fragmentada, à medida que aspectos constitutivos relevantes inerentes às mesmas, como historicidade, determinantes sócio-políticos, subjetividade, exercício do lúdico, são subestimados em detrimentos de outros que caracterizam a lógica esportiva, como competição, racionalização, regramento, rendimento etc. No Brasil, podemos citar, entre outros autores: Bracht (1987, 1992 e 1997), Bruhns (1993), Castellani Filho (1988), Kunz (1991, 1994 e 1996) e Oliveira (1994).
A inclusão da capoeira no rol das práticas esportivas representa uma situação inusitada. Trata-se de uma manifestação oriunda das camadas subalternas, dos negros-escravos, que durante muitos anos foi condenada e proibida pelo poder constituído. Segundo Rego (1968), "o capoeira desde o seu aparecimento foi considerado um marginal, um delinqüente, em que a sociedade deveria vigiá-lo e as leis penais enquadrá-lo e puni-lo" (p. 291).
Ao adentrar o mundo esportivo, a capoeira passa a incorporar códigos e valores diferentes daqueles que a moldavam por ocasião de seu surgimento. Ela pode estar sendo recodificada, regrada e normatizada, negando, possivelmente, alguns dos seus elementos essenciais, como a o exercício do lúdico e espontaneidade.
A visão de que para termos bons capoeiristas teríamos que ter campeões soa como uma hipocrisia. Obviamente, não estamos aqui defendendo a total ausência de rendimento. Isso é impossível, mas sugerindo, como propõe Kunz (1996), um “rendimento como algo necessário mas não obrigatório” (p. 101). Nesse sentido, estamos de acordo com Valter Bracht quando destaca:
A idéia defendida e disseminada (e falsa) é a de que para motivar e termos uma população ativa esportiva e fisicamente precisamos de heróis esportivos que atuariam como exemplos, análoga à idéia de que para construirmos bons carros de passeio precisamos desenvolver carros de formula l.(BRACHT, 1997, p. 83)
A ambigüidade parece ser um componente intrínseco da capoeira, quando vista sob a lógica da cultura popular. Numa análise aligeirada ela pode denotar indeterminação, incerteza, dúvida, mas isso não é uma falha, defeito ou carência de um sentido, como destaca Chaui (1989). Trata-se de uma propriedade que contém ao mesmo tempo várias dimensões simultâneas.
É dentro dessa concepção multifacetada que as políticas públicas para a capoeira devem ser geridas. Ou seja, através de programas interministeriais e intersetoriais que envolvam as diversas interfaces da capoeira. As políticas públicas poderiam contribuir enormemente para o fomento desta que é um dos principais veículos de divulgação da cultura brasileira.

Mestre Falcão
Fonte: http://www.portalcapoeira.com/
Velho Mestre de Capoeira é barrado pela Imigração Norte Americana
Depois de ter em seus passaportes mais de cinquenta carimbos de entrada e saída em território norte americano, este ano em junho, no aeroporto de Newark na Grande Nova York, em New Jersey, Mestre Nô, embora tratado com educação e respeito, não pôde encontrar seus alunos que o aguardavam, para ser homenageado em eventos organizados por eles.O mestre que ajudou a educar centenas de jovens americanos, teve seu visto cancelado e foi obrigado a voltar. Além dos danos morais, o velho mestre que em suas andanças não percebeu o glaucoma que sofria, teve o prejuízo das despesas da viagem, pois os dois telefonemas a que teve direito, enquanto estava no aeroporto, não solucionaram sua entrada. Michael Goldeinsten, mestre Ombrinho que o esperava, estava sem um aparelho celular, não pôde portanto providenciar um advogado.
No documentário de minha autoria, Mandinga em Manhattan, - sobre a internacionalização da capoeira, gravado em 2005 e patrocinado pelo Ministério da Cultura, Fundação Padre Anchieta e IRDEB, já temos mestres da Bahia apelando para o Itamaraty; para que as autoridades do Ministério das Relações Internacionais e Fundação Palmares, tomem providências no sentido de identificar estes mestres, encontrar formas diplomáticas, para que eles possam levar nossa cultura, respeitando o desejo destes grupos, que o aguarda com alegria e reverência.
Mestre Nô é vice-presidente da Associação Brasileira de Capoeira Angola, com sede na Rua Gregório de Mattos no coração do Pelourinho, que defende e preserva os preceitos da capoeira tradicional. A ABCA, pede a todas as instituições e organizações dos direitos civis, apoio ao seu diretor jurídico, o advogado e ex-defensor público geral do Estado da Bahia, Genaldo Lemos Couto, que está redigindo cartas ao Itamaraty e Ministério da Cultura, no sentido de que os mestres de capoeira, de todos os seguimentos, que comprovem a existência de grupos iniciados por eles, onde desenvolvem um trabalho com a capoeira, ou tenham convite de para ir ao exterior participar de eventos e como sempre acontece, ser homenagado, recebam um passaporte de convidado e tenham suas entradas nestes países facilitadas e respeitadas.
Lucia Correia Lima *
Diretora de Projetos e Comunicação da Associação Brasileira de Capoeira Angola.
Elaborando o livro “Mandinga em Manhattan”, que pretende corrigir as falhas do documentário. Um projeto do edital Capoeira Viva, Ministério da Cultura e Fundação Gregório de Mattos.
Fontes: http://www.portalcapoeira.com/
Baixa Músicas de Capoeira
Essa comunidade não tem nenhum fim lucrativo com os CDs postados.
Apenas promovemos a troca de CDs assim como emprestar um CD para um amigo.
venha participe voce também!!
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=36511602
terça-feira, 12 de agosto de 2008
A VITROLA TOMOU O LUGAR DO BERIMBAU. E NÃO HÁ MAIS VALENTIA, SÓ EXIBIÇÃO.

Se não fosse pela movimentação de carros, com gente bem vestida que vai para as filmagens da “Tenda dos milagres” – que Nélson Pereira dos santos dirigiu na “Galeria l3, bem próximo dali – a rua estreita estaria vivendo mais uma noite de rotina, Na academia, tudo parece normal”.
Mas se mestre Bimba estivesse vivo reclamaria: ele jamais consentiu, nem nunca imaginou que pouco mais de um ano após a sua morte o Centro de Cultura Física Regional se transformasse num depoimento vivo do distanciamento da capoeira das suas raízes. O coro, que engrossa ou se toma lento na medida em que a luta “esquenta” ou “esfria”, vem de uma radiola, na qual um disco do mestre Caiçara substitui o berimbau; e a luta perdeu aquela agressividade natural que ele sempre procurou manter, mesmo sabendo que perdia alunos que podiam e queriam pagar para aprender capoeira.
-Tocar berimbau e muito difícil. Na Bahia, tem pouca gente que sabe tocar direito. É tão difícil que muita gente não consegue sequer segurar alguns minutos o berimbau porque fica com os dedos doloridos, diz o mestre Vermelho – José Carlos Andrade Bitencourt, 39 anos, dos quais 22 dedicados à capoeira, funcionário da Petrobrás e atual dono da academia de Bimba.
Ele comprou o Centro em 72 por cinco mil cruzeiros quando Bimba, sem dinheiro e decepcionado com a pouca atenção dada à capoeira, resolveu ir para Goiânia, onde morreu sem concretizar seu plano de criar uma nova e famosa academia.
A simplicidade da explicação do mestre “Vermelho” está longe de esgotar o verdadeiro significado da mudança de hábitos na academia que foi a mais famosa do Brasil, rivalizando apenas com a do mestre Pastinha. E isso pode ser facilmente comprovado diante dos novos hábitos assimilados nos últimos dois anos pelos tradicionais da Bahia: o capoeirista deixou de jogar capoeira na rua; usa cartão de visita bem impresso; introduziu faixas idênticas às usadas nas lutas marciais japonesas para indicar o grau de conhecimento dos seus alunos; raramente luta em festas de largo; faz questão de fazer propaganda da sua condição de lutador; e o pior, mais do que o aperfeiçoamento, ele se preocupa com a organização dos chamados conjuntos folclóricos capazes de associar, a um só tempo, fama e dinheiro.
Para o etnólogo Waldeloir Rego, essa transformação radica é conseqüência do impacto do progresso verificado nas duas últimas décadas e que “a Bahia não estava preparada para receber”. Essa mudança de hábitos tem dois pontos distintos; a saída da capoeira dos largos e ruas da cidade para um recinto fechado, a academia, iniciada com Bimba em 1929, e a sua utilização como aração turística.
Com a academia de Bimba explica Waldeloir, os quadros da capoeira passaram por midificações profundas.
-A classe média e a burguesia passaram a se interessar, a princípio, pelas exibições apenas; depois, para aprenderem e se exibirem a título de prática de educação física. Assim, a capoeira, que era perseguida desde o Império, acabou sendo oficializada, e em 1937 Bimba obteve o registro de sua academia.
Posteriormente, o turismo transformou a capoeira em artigo de consumo, mercadoria de venda. Resultado:
A nova geração de capoeirista – diz Waldeloir Rego – sofreu reflexo de todas essas transformações, que começaram em 1954, quando o turismo foi oficialmente implantado na Bahia com a criação de um departamento especifico ligado ao gabinete do prefeito.E a maioria dos capoeirista novos passou a aprender só o necessário para tornar um conjunto; o resto eles aprendem durante o trabalho.
É por causa da falta de renovação dos mestres que há uma tendência generalizada à crença de que a capoeira se afasta cada vez mais das suas raízes. Há até projeto de transformá-la em esporte nacional, com golpes e nomenclatura padronizados.
-Quase todo país tem seja luta nacional, mas ela nem sempre obedece a padrões fixos, como os jogos de futebol ou vôlei. E é justamente isso que é necessário à capoeira, a liberdade. A riqueza da capoeira está na variação de estilos; a luta é como uma caixa de surpresa não permite padrões rígidos.
“Vermelho”, chefe da introdução de métodos modernos no ensino da capoeira, acredita que só assim a luta poderá sobreviver.
-Na minha academia, que é famosa e está na terra da capoeira, só tenho 43 alunos já houve mais de 100 nos tempos de Bimba, dos quais só 23 freqüentam os cursos. O numero de alunos nas academias de capoeira declinou em função da grande propaganda em torno da lutas de origem oriental, e da falta de divulgação. Nem o endereço das academias os jornais publicam.
A necessidade de divulgação contribuiu para que o capoeirista, antes um homem que procurava esconder a sua condição de lutador, passasse a fazer propaganda própria, com a dupla finalidade de ganhar prestígio e promover sua escola.
-Para garantir os alunos - continua “Vermelho” - também tive de fazer uma outra mudança: diminuir a agressividade e a dureza dos treinos e me aproximar mais do pessoal. Não há como manter aquela distância que o Bimba mantinha e manteve até o se último dia aqui com a gente. Ele era o mestre e tinha de ser respeitado e tratado como tal. Agora, não da mais agente tem que ser como um professor qualquer.
Cercado pelas transformações sociais, o capoeirista está cada vez mais distante da figura do marginal, do vadio e sem profissão definida. Dos capoeiristas famosos, o único na Bahia que ainda faz questão de se manter o mais próximo possível das raízes é “Caiçara”, 52 anos, aluno do famoso mestre Aberê, dono de um conjunto folclórico, ator de dois discos da capoeira ele é também o único que costuma levar seus alunos para a capoeira de rua. Os outros mestres apenas aparecem nas rodas para dar o ar de sua graça, comenta, irônico, Waldeloir Rego.
Por tudo isso, “Vermelho” não vê nenhum problema e até acha muito boa substituir o berimbau pela radiola.
-O mestre cobrava 15,00 cruzeiros a mais para ensinar a tocar, por isso, ninguém se interessava muito em aprender a tocar berimbau. O importante era saber lutar.
O berimbau tema de músicas populares famosas como “Berimbau”, de baden Powel e Vinícius ("...berimbau me confirmou /vai ter briga de amor /tristeza camará") e "O assunto é berimbau" de Jackson do pandeiro e Antônio Barros, é como muito bem define uma canção popular, "um arame num pedaço de pau". O berimbau já foi de boca e hoje é da barriga - um arco com uma varinha e uma moeda de cobre. Atualmente, o berimbau é o principal instrumento musical da capoeira que antes, era jogada com o acompanhamento também do adufe (pandeiro pequeno de formato quadrado), do ganzá do reco-reco e do atabaque. Nas rodas de capoeira, dos instrumentos musicais antigos.
-O capoeirista mudou muito. E o espetacular passou a prepondera muito: outro dia soube até que se fez um batizado na capoeira. Isso nunca existiu - observa Waldeloir Rego.
Mestre Caiçara, que não joga mais capoeira é intransigente no prepara dos seus alunos, é mais incisivo.
-O que existe é muita falta de vergonha e de interesse de tocar berimbau agente aprende a tocar berimbau em seis meses ou menos. Basta querer.
Artigo gentilmente cedido por Mestre Peroti
Fonte: http://www.capoeiradobonfim.com.br/oglobo_11_04_76.htm
segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Fisioterapia e a Capoeira
A prática da capoeira atrai cada vez mais as pessoas de todas as idades, etnias e ambos os sexos. Criada por negros escravos no Brasil, advindos do continente africano a capoeira vem ganhando espaços em todos os lugares e por todo o mundo. É considerado um esporte completo por proporcionar ao praticante uma melhora do condicionamento físico, melhora da resistência a fadiga e força muscular, aumento do raciocínio em jogo, coordenação, agilidade e flexibilidade.
No entanto, um treino feito de forma inadequada ou de maior exigência que seu corpo possa tolerar, pode trazer ao capoeirista efeitos deletérios que podem durar de dias a meses se não forem tomados os devidos cuidados.
Diversas são as lesões ocasionadas pela prática da capoeira e são principalmente ligadas ao sistema músculo-esquelético do praticante, e, em seu maior número são lesões nas articulações dos joelhos e punhos. As mais comuns são relacionados a distensões musculares e a entorses (o que vem a lesar ligamentos, responsáveis pela estabilidade da articulação).
Ao sofrer uma lesão é necessário que o capoeirista cesse sua atividade física e procure um médico, caso contrário o seu quadro só tende a piorar vindo até a levá-lo a incapacidades funcionais, impossibilitando, portanto, a prática da capoeira e até mesmo, dependendo do caso, a incapacidades de suas atividades de vida diária, como o trabalho, por exemplo.
A fisioterapia nesses casos é indicada para melhora do quadro de incapacidades e sintomas como dor, diminuição de força, movimento, etc. Além de objetivar para que não haja recidivas das lesões durante a prática da capoeira bem como melhora das atividades de vida diária. O tratamento deve ser feito em cima dos sintomas relatados pelo paciente e avaliação feita no mesmo.
Por sua vez, o tratamento deve ser feito de forma séria e as orientações dadas pelo fisioterapeuta seguidas de maneira rigorosas, possibilitando um retorno à capoeira mais rápido, de maneira saudável e visando uma não recidiva da lesão, já que são comuns elas acontecerem em casos de lesões mal tratadas.
Como profissional da área da saúde o fisioterapeuta tem papel importante, com a obrigação tratar não apenas as lesões como fazer um tratamento preventivo aos praticantes e promover uma melhora na sua qualidade de vida também fora da prática da capoeiragem.
Engana-se quem pensa que a reabilitação fica restrita apenas no interior de uma clínica de fisioterapia. Para o sucesso do tratamento, é preciso que sejam dadas orientações ao paciente de como portar-se fora da clínica e é mais importante ainda, que estas orientações sejam seguidas exatamente da maneira que lhes foram passadas para possibilitar uma boa evolução no desenvolvimento do tratamento e o capoeirista terá como conseqüência um tempo menor de tratamento e retorno a prática da capoeira de maneira mais rápida e de forma saudável e segura.
Algumas orientações podem e devem ser dadas para o período pós- tratamento, objetivando a melhora do desempenho no próprio treino, como por exemplo, a importância do aquecimento e alongamento antes de qualquer atividade física e alongamento também após os exercícios, possibilitarão não apenas evitar que ocorram lesões durante os treinos, como também ajuda a prevenir futuras lesões. Vale ressaltar que um alongamento feito de forma inadequada pode causar o efeito inverso, vindo a prejudicar o capoeirista ao invés de ajudá-lo quanto a sua saúde física, é neste caso, por exemplo, que as distensões musculares aparecerão.

Raylana Nascimento
Fisioterapeuta e Capoeirista do Grupo Ilê-Dara.
FONTE: http://testacapoeira.blogspot.com
[Artigo] A criança na capoeira

"Sou capoeira desde pequenininho
desde que meu pai falava:
Capoeira, meu menino!
E eu gingava, soltava meia lua,
e plantava bananeira,
até no meio da rua!"
Percebemos na educação infantil, se o profissional tiver uma metodologia adequada, compreendendo a carência de concentração, e objetivando principalmente o esquema corporal, terá êxito. Já no ensino fundamental, pode se exigir mais devido à idade, mas lembrando sempre o poder cooperativo que a capoeira oferece, restringindo o contato físico em de repente apenas se limitar em abraços e apertos de mãos. Enfatizando a cooperatividade da capoeira, sua história de conquistas, onde sempre os escravos deram as mãos, fundaram quilombos, comunidades com ideais de liberdade e igualdade, e os precursores que difundiram estilos e metodologias para que a arte hoje estivesse inclusive nas escolas, sendo uma ferramenta poderosa para a formação corporal e do caráter de crianças.
Benefícios como lateralidade, coordenação motora fina, grossa, dinâmica, ritmo, noções de equilíbrio, força e flexibilidade são aplicadas naturalmente com os movimentos e a musicalidade que a capoeira envolve, hoje em dia devido à tecnologia e a comodidade em que o cotidiano infantil exige, onde a criança vive em seu quarto, e através de controles remotos de tv, dvd, videogames, e seu computador, ocupam seu tempo assim, sem se quer se levantar, e não desenvolve seu tônus, dificultando suas funções motoras, aumentando a obesidade. Na contra mão, as crianças residentes em bairros mais carentes, tem a coordenação e seu tônus bem desenvolvidos, porém correm sérios riscos se tiverem ensinamentos da eficácia de golpes com o contato físico, e uma formação do educador errônea, possibilitando a eles uma fora de "luta"e não de "esporte", pra que a capoeira pudesse ser um meio de violência, o que não podemos permitir, proporcionando a nossos educandos os valores humanos e revigorar a postura do
Mestre, ou Educador, responsável e um exemplo-espelho a eles. Uma referência, que em muitas ocasiões eles não possuem.
Colunista | Márcio Rodriques
FONTE: Orkut Capoeira-Discussões http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=12123468
CAPOEIRA NA PONTE - O RETORNO DE UMA TRADIÇÃO

Projeto ´Roda do Pôr-do-Sol´ leva capoeiristas à Praia de Iracema, até o fim do ano, nas tardes de sábado e domingo
Idealizado pela Associação Terreiro de Capoeira do Ceará, em parceria com o Grupo Capoeira Mundi, o projeto “Roda do Pôr-do-Sol” realizará, todos os sábados e domingos, a partir das 16h30, rodas com mestres e praticantes do jogo no Estado. “Conversamos com a Secretaria de Turismo do Estado, que aceitou fazermos o projeto até o fim deste ano, sempre na Ponte Metálica. A idéia surgiu como forma de comemorar o reconhecimento da Capoeira”, explicou Mestre Soldado, Diretor Técnico da Associação Terreiro.
Ele ressalta que a capoeira cearense vive um momento de comunhão entre mestres e praticantes das cerca de 17 entidades que representam o jogo. “O momento é positivo. Além da harmonia, o nosso Estado, que sempre teve tradição na capoeira, tornou-se um celeiro de capoeiristas para a Europa, Estados Unidos, Japão e África”.
As entidades, segundo Soldado, também lutam para a criação do Centro de Referência da Capoeira no Ceará. “Será um espaço que não ficará limitado somente à prática da capoeira. Haverá biblioteca, espaço para pesquisas, debates constantes e espaço para outras manifestações culturais regionais, como Maracatu”.
Responsabilidade
“Isso muda muito o panorama da capoeira. Aumenta a nossa responsabilidade de ensinar e o modo de sermos enxergados pelos órgãos públicos”, avaliou Mestre Soldado.
Além do reconhecimento, o Conselho Consultivo do Iphan sugeriu a criação do Plano de Salvaguarda da Capoeira, onde políticas públicas garantem direitos aos capoeiristas. O reconhecimento do notório saber dos mestres pelo Ministério da Educação, um plano de previdência especial para os velhos mestres, além da criação de um Centro Nacional de Referência e do Fórum da Capoeira são algumas propostas do Plano.
“O reconhecimento é justo, mas tardio. A capoeira, há muitos anos, é uma manifestação de destaque no País. Acredito que, agora, aumente a compreensão do significado dos seus elementos e instrumentos”, disse o estudante Alyson Vasconcelos, na abertura do projeto “Roda do Pôr-do-Sol”.
FONTE: http://testacapoeira.blogspot.com